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Nostalgia | Ondas do Passado

  • Jan 12, 2024
  • 2 min read

A beleza do nostálgico é o conforto da permanência no passado. O fingimento alegórico do desejo de revivência. Na base do sentimento existe uma luz ou faísca, como o condutor essencial, escasso e momentâneo.


A nostalgia é perigosa?

A nostalgia é a relembrança de tempos luminosos vividos. A sua existência é a confirmação de que episódios da nossa vida são capítulos importantes da nossa história. Os seus elementos: pessoas, ambientes e sentimentos, são a receita construída na mente de quem viveu verdadeiramente.


Mas a nostalgia é perigosa se cair na melancolia.


Nostalgia Positiva e Prejudicial

É estar perto de um penhasco com uma vista para o oceano infinito. O horizonte das nossas memórias, que nos confortam. Vemo-las à distância: o reflexo do que foi na cristalinidade das pontas salgadas, nas cristas do mar. Neste sentido, a nostalgia é a contemplação da paisagem à nossa frente, sem nunca esquecer que a nossa vida não continua nessa direção. Está atrás. Nas costas. No abandono da paisagem. No abandono do horizonte de retorno à nossa viagem.


A nostalgia positiva é ser capaz de virar as costas ao penhasco e voltar a ele apenas com o intuito de apreciar a vista, momentaneamente.


O inverso mantém a parte da receita. A nostalgia prejudicial não contempla, não vislumbra. A pessoa permanece, dá espaço ao conforto de sentar, de olhar e de sentir pesar. Existe esquecimento do reconhecimento do olhar para o passado, assumindo-o como um presente falado. Um desejo de retorno que impede virar as costas. Saudade melancólica.


O limite da nostalgia

Neste espaço, existem pessoas que se colocam no limite do penhasco que se transforma em precipício. Algumas dão o passo em frente e levam consigo todas as novas possibilidade de criação. Na queda para o oceano infinito, ao encontro do que construímos no passado, do que éramos, disputamos a força do mar e do confronto das nossas escolhas.


Olhamos para trás, cobertos em água salgada, imbuídos pelo anterior, o que era. Os nossos olhos percorrem o penhasco, seguido a sua altitude, até vermos o seu fim. Tudo acima dele é céu e ar. Apercebemo-nos que o limite é uma fronteira que separava o que foi, do que poderia ter sido. Mas nós já não vemos o que poderá ser. É demasiado tarde.


A cristalinidade das pontas salgadas deu lugar à vastidão e profundidade do oceano. Nada mais podemos fazer senão virar as costas ao penhasco, à fronteira atravessada, e, com toda a certza afogarmo-nos.

 
 
 

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